É Agora que Começa - Parte II - Empurrão

Um carro sedan daqueles tipos que executivos de grandes empresas usam, apareceu destacado dos outros com um preto brilhante que chamava mais atenção do que o normal, a garota olhou para Jorge e disse, sem muita enrolação. – Meu nome é Joane Eileen e como eu disse a você a pouco, depois do fim nessa terra é que realmente a vida começa, Jorge Rios.
                Sem muito tempo para processar informações Jorge acompanhou ela até o carro, um homem alto, bem mais alto do que estava acostumado a ver por ai, desceu do carro, usava luvas brancas e quepe de motorista, com uma roupa bem anos 30 abriu a porta de trás e sinalizou para entrarem, Joane em um movimento rápido pulou para dentro do carro e desapareceu, Jorge olhou espantado, por um instante havia até se esquecido de sua morte, olhou para o motorista que estava lá parado segurando a porta para que ele entrasse também. Ele olhava para o interior do carro e não conseguia ver nada, tudo escuro, novamente ficava surdo, nenhum som, nem vozes, nem sirenes, nem ao menos o motor do carro que estava parado a sua frente. Jorge deu um passo para trás, quando do meio da escuridão que estava no carro saltou uma mão agarrou sua camiseta cinza com detalhe pretos na manga e o puxou para dentro.

                Escuridão era tudo que ele via ou melhor, não via. Silêncio, só escutava seu coração, uma luz brilhava um pouco a frente, ele caminhou em sua direção enquanto a luz aumentava sua intensidade. Quando chegou perto da luz intensa ela avançou em sua direção e o tragou para dentro. Jorge abriu os olhos e se viu em pé em frente a um lindo gramado mais verde do que todos os que já havia visto, poucos metros a sua frente corria um rio lento, largo e cristalino. Jorge se aproximou do rio e via os peixes nadando, várias espécies diferentes, peixes que nunca havia visto antes. Sentiu uma mão tocar seu ombro, virou-se e viu Joane sorrindo de novo, aquilo quase chegava a irritar ele, sorrir tanto assim depois de morta o perturbava um pouco. Ela fez sinal para que ele a seguisse, foram caminhando pela beira do rio lento e Joane começou a explicar onde estavam. – Jorge esse lugar é para se preparar para sua vida de verdade, aquele mundo onde viveu seus primeiros dezesseis anos era apenas para sua aura se preparar, não se preocupe com amigos, família ou qualquer coisa que havia lá porque a hora deles também vai chegar e serão apresentados ao verdadeiro universo é tudo uma questão de tempo, sua aura estava preparada para ser recolhida e ajudar na expansão dos planos. Pessoas como nós que seguiram normalmente sua primeira vida sem realizar atos grotescos, sem maldade ou violência, vem para cá ajudar na expansão, já os outros fica ali. No momento em que ela explicava eles passavam por uma ponte suspensa que atravessava o rio e Jorge olhou para baixo e viu um abismo escuro, de lá subiu uma leve brisa congelante, não dava para enxergar nada lá. Ela continuou a falar. – Mas mesmo tendo uma vida correta e séria, você, assim como eu não passou por uma provação ferrenha enquanto estava na terra e precisa ser preparado para ajudar, e o melhor modo de se preparar para enfrentar os horrores do universo em expansão, os mundos e as civilizações que nele habitam, é cruzando o limbo. Num movimento súbito Joane deu um forte empurrão em Jorge o derrubando da ponte fazendo com que ele caísse em direção no abismo. Vá Jorge, enfrente o Limbo, encare seus medos enquanto aprende novamente o que já está dentro de você desde a criação de sua aura.

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